sexta-feira, 18 de novembro de 2016

ESPELHOS



     Passei a maior parte da minha vida fugindo dos reflexos que via em espelhos. Na infância, enquanto as “crianças normais” tinham medo de filmes de terror, de monstros alienígenas vindos do espaço em uma terrível caçada à sua procura (como se elas realmente fossem tão importantes ao ponto de mobilizar uma raça inteira à sua procura) eu era atormentada dia e noite pelo terrível monstro que os mortais teimavam em denominar: espelho.  
      Sei que inicialmente você pode pensar que esse é mais um dos antigos  relatos de uma adolescente de quinze anos (e que vale destacar, não é muito importante no mundo e que não vale muita coisa) reclamando de como a vida é dura e como sofre com acne e amores não correspondidos mas, eu sinto decepcioná-lo, não sou só mais uma adolescente. Eu sou A adolescente e tenho argumentos, experiência e uma convicção muito forte de que depois desse relato o senhor, caro leitor, vai ter uma visão ampliada, e espero que tenha bom senso e empatia o suficiente para olhar com outros olhos, não só os adolescentes, mas as pessoas de um modo geral. 
      A verdade é que, pra uma pessoa como eu, não há a possibilidade de uma vida “normal”. Nem mesmo somos definidos como normais, porque nossa vida fugiria como exceção da regra? Durante este relato você vai notar que a palavra “normal” é citada muitas vezes e nós pedimos desculpas por esse transtorno. Aliás, é exatamente sobre isso que eu quero falar. Sobre este “transtorno”. Eu já pensei e já tentei por várias vezes me desculpar por ser quem eu sou. Mas eu aprendi a me aceitar e desejo que você também aprenda. Desejo mas, não por mim, desejo por você. Desejo por outros jovens como eu.

      Com três anos eu larguei as bonecas e passei a procurar os carrinhos. Com quatro eu tentava voltar às bonecas já que me eram negados os carrinhos. Com cinco as menininhas da escolinha me rejeitavam e eu não podia me juntar aos meninos. Com seis eu aprendia a aproveitar da minha própria companhia. Com sete eu aprendi a ser dissimulada e tentava me encaixar no grupinho das meninas. Com oito voltei a ser isolada. Com nove voltei a desfrutar da minha doce companhia, com dez meu corpo começou a dar os primeiros sinais de mudança. Com onze veio o incômodo de seios crescendo. Com doze o incômodo da primeira menstruação e com treze uma depressão. Aos quatorze a tão esperada compreensão, eu finalmente achei meu caminho. E agora aos quinze eu tenho meu corpo.
     Finalmente posso ser eu mesma. Mas ainda falta muita coisa. Faltam muitos anos e muita luta.
    A adolescência nunca é fácil. A vida não é fácil, agora se imagine na minha situação. Imagine-se tendo de enfrentar a mudança de seu corpo, os conceitos que lhe são impostos e logo depois veja como sua vida, pessoa normal, é fácil comparada à minha. Dramático? Não. É a realidade. Esta é a realidade de uma pessoa transexual. É a realidade de um adolescente. De uma criança, talvez. Utilize de empatia e faça do mundo um lugar melhor. Seu preconceito não muda minha situação apenas piora, transformando uma fase já difícil em um estado de tormenta.   

I.D.
1º Ano

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

CRÔNICA

TEMPO

Não há tempo.
     Há algo de sadicamente irônico sobre o tempo. E, talvez, isso se tornasse claro se parássemos só por um instante, e nos deixássemos enxergar tal fato. Mas não paramos, nunca paramos. Estamos sempre correndo, sempre atrasados, sempre com pressa. Sempre sem tempo. Presos em uma corrida, com um gigantesco lapso de nexo, em direção ao fim literal. Afinal, qual o sentido da pressa se a morte é o que nos espera na linha de chegada do fim dessa mórbida corrida, também conhecida como vida?
     A verdade é que todos vamos morrer. Simples assim. Apenas um fato. Fato iminente, o qual não está em discussão. É assim, e ponto. E fim. Somos seres mortais, com dias finitos e horas contadas, apenas de passagem no universo vasto e perene. Amontoados de matéria que insistem em não ter tempo, em seu pouco tempo, em seus minutos numerados, como um cachorro que persegue, tolamente, o próprio rabo. Sempre ocupados demais para as "toscas" coisas da vida, para sorrir, para viver. 
      As estações mudam, passam-se as folhas do calendário, e quando menos esperam, chegam o fim dos seus míseros segundos enumerados. E o que poderiam fazer? Não há mais tempo.

EMANUELLE - 1º ANO "B"
CARMELA DUTRA

terça-feira, 11 de outubro de 2016

CRÔNICA

Dor incessante

         Há meses atrás senti meu mundo desabar diante dos meus olhos. As pessoas mais importantes da minha vida se virando contra mim, não sei ao certo como ainda convivo com os mesmos. Compreensão era o que lhes faltavam. Amor também. 

         Lembro-me até hoje, e creio que nunca esquecerei, as palavras duras e afiadas sendo ditas para mim como se fossem facas me dilacerando. Me senti sendo espancada da pior forma, verbalmente, por palavras obscenas e desnecessárias, e pelas pessoas que mais amo. Penso que essa ferida nunca irá sarar. Pobre de mim.
 
         Às vezes penso que sou egoísta por pensar em me matar por algo que perto dos outros problemas sociais, não são nada. Mas todos temos o direito de sentir nossa dor, não devemos compará-la com a de ninguém. Pare um instante e pense em tudo relacionado a ela. Sinta ela durante meses e anos, mas aceitá-la e saber conviver com ela é o primeiro passo para a recuperação. Não sei se consigo aceitar a minha situação, algo dela sempre vai estar ali, sempre vou lembrá-la, infelizmente.
 
      Sou muito nova pra ter sentido tantas coisas e ter tido muitas decepções, mas com tudo isso aprendi a me proteger de certa forma que ninguém conseguiria. Faço a minha dor só minha, não saio de casa sem um sorriso no rosto com esperança de que algo, ou alguém mude o que sempre sinto por de trás do meu sorriso. Uma dor que espero que um dia passe e se torne um motivo para eu ser forte.

Clarissa Menga- 1º B

 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Estudar.

     No nosso cotidiano, existem coisas que, independem da direção que olhemos, estão sempre lá. Não me refiro às propagandas eleitorais ou aos santinhos que parecem estar em todos os lugares nesse nosso tempo político. Falo dos padrões.
     Padrões que estão presentes em tudo, e em todos, e ainda assim, de alguma forma, costumam passar despercebidos aos nossos olhos e principalmente às nossas consciências. Padrões estéticos, morais, comportamentais. Parece que até nosso pensar há de seguir um tal padrão. Ou não? Quantos gênios já foram, e ainda serão, tachados de "burros" por não serem bons naquilo que, aparentemente, deveriam ser?
     Como vai ser alguém na vida se nem mesmo consegue resolver uma equação de segundo grau? Quem dirá explicar o que é morfologia de palavras. Me diga, do que é que adianta um dez em Artes, se desenho nunca salvou ninguém de morar em baixo da ponte? Matéria sem importância, é o que eles dizem. Filosofia então? Puff, coisa de quem não tem o que fazer. 
     Obrigações do estudante, sim, porque quem vai ser você sem um bom nível de estudo? Onde vai parar se não gosta de estudar, não sabe achar o valor do bendito X? Irônico pra mim é achar que estudar é algo tão quadrado, tão rígido e obrigado. Estranho é ensinar à crianças que elas são incompetentes por não serem bons em algo que não poderiam ser, nem mesmo se quisessem. Por matar músicos e tantos outros artistas à prendê-los em escritórios abafados e padrões sufocantes. 
Mas um único que virou comum por alguém, ou por tantos, que acham que o conceito de estudar está fadado à amarras e padrões milenares que um dia, espero eu, se acabam.
 
 Por: Emanuelle Araújo.
1°B
CARMELA DUTRA - PVH
2016

sábado, 11 de junho de 2016

MARGARIDA


Eu não me permitia sofrer,
Eu não me permitia chorar,
Eu não me permitia viver,
Eu não me permitia gritar,
Eu não me permitia amar.

Me libertei do peso da culpa,
Passei a permitir-me sorrir.
tornou-se mais leve a luta,
Me fiz o favor de existir
E viver a intensidade de sentir.

Morri em vida,
Morri para renascer,
Revivi margarida,
Nova chance de viver
Para não mais morrer.

Sem fechar os olhos,
Me transformei,
Revivi na mesma vida,
Nunca mais me calei.
Permiti-me gritar, então gritei:

"Permitir-vos-eis
Ter alegria,
Felicidade não é ser contente,
E sim viver as agonias
Sem perder a poesia."



Ellen Cardoso

UMA AULA DE ARTE NA PRÁTICA

  Em 12 de maio iniciamos os trabalhos de confecção do baralho com o  1º Ano 'B'.  A segunda etapa será a escolha dos verbos no modo...